sábado, 14 de novembro de 2009

Entrevista com Thalita Rebouças

O MUNDO COR DE ROSA DE UMA ESCRITORA POP
Por
Ramon Mello

Uma mulher bonita, com jeito de adolescente e rosto de menina, que (literalmente) fala a linguagem da garotada.

O nome dela é Thalita Rebouças, um fenômeno editorial que parece ter vindo para conquistar seu espaço entre os adolescentes, principalmente entre as meninas.

Fala Sério, Amor! (editora Rocco) – último volume da série Retratos de Malu - é o novo livro dessa carioca que optou por abandonar as redações de jornais para se dedicar ao sonho de fazer literatura.
Resultado?
Hoje ela é uma espécie de “Xuxa” do meio literário, vendendo mais do que muita gente graúda.

Fui entrevistar a escritora em seu lançamento, no dia 19 de maio, na Livraria Siciliano, no Leblon. Cheguei meia-hora mais cedo e a fila de autógrafo, lotada de adolescentes acompanhada dos pais, já estava na esquina da Avenida Ataulfo de Paiva. Então resolvi sentar na padaria do outro lado da esquina e tomar uma cerveja para fazer uma horinha...A espera não adiantou muito. O jeito foi conversar no intervalo de um autógrafo e outro.
A escritora pop falava com seu público com a intimidade de melhor amiga, posava para fotos e ainda passava batom para deixar a marca da boca no livro autografado. E as adolescentes se comportavam como se estivesse na frente de um ídolo da TV.

Click(IN)VERSOS – Você é formada em jornalismo. Como aconteceu essa transição para a literatura?

THALITA REBOUÇAS - Eu gosto muito de inventar histórias e o jornalista não pode inventá-las. E eu gosto de contar um conto e aumentar um ponto... Sempre fui assim. É muito bom criar histórias, muito melhor do que falar da realidade. Ainda mais para essa galera que dá um retorno tão bacana para mim.

Click(IN)VERSOS – Quando você começou, imaginou que chegaria a vender 70 mil exemplares?

THALITA REBOUÇAS - Quando eu comecei a escrever e ainda era jornalista tinha o sonho de viver de literatura. Minha família foi “suuuperfofa” quando eu disse que queria dar um tempo com o jornalismo e me dedicar à literatura: “Tá maluca? Vai morrer de fome, ninguém lê neste país!” Foi um incentivo e tanto. Resolvi peitar meus medos e minha insegurança para tentar alcançar meu objetivo. Batalhei muito para chegar até aqui. Fico feliz por não ter desistido no meio do caminho, tudo está acontecendo de uma maneira muito bonita. Claro que não imaginei que teria fãs, que receberia mensagens tão emocionantes de adolescentes, pais, professores, que receberia tanto carinho...

Click(IN)VERSOS – Como é escrever literatura juvenil?

THALITA REBOUÇAS - É a minha praia. Não gosto dessa mistura infanto-juvenil. Acho meio caído isso! Criança gosta de ser considerada jovem, mas jovem odeia ser tratada como criança. Escrevo para jovens de todas as idades: elas podem ter 12, 16 ou 9 anos. O retorno é muito legal. O adulto fala apenas “Parabéns, o seu livro é legal” e os jovens já vibram e querem te dar um abraço. Eu amo escrever para adolescente! Fisgar novos leitores, fazer com que eles passem a gostar de livros e criem o hábito de ler: esse é o meu trabalho, é o meu prazer.

Click(IN)VERSOS – Sente vontade de escrever para o público adulto?

THALITA REBOUÇAS - Nãoooo! Gente grande é chata! (RISOS). Eu gosto dessa galera, é muito mais legal escrever para jovens! Acho que já tem muita gente que escreve bem para os adultos, os jovens são mais carentes de escritores.

Click(IN)VERSOS – Qual a intenção de escrever para o público jovem?

THALITA REBOUÇAS - A pré-adolescência é uma fase em que os jovens começam a implicar com o livro. Eu tenho a chance de fazer com que eles percam essa implicância, que eles passem a achar que ler é tudo de bom. E eles acabam dando muito mais valor. Eu me sinto tão feliz escrevendo para essas pessoas que nem acredito que este é o meu “trabalho”.

Click(IN)VERSOS – Você acha que os jovens da era digital ainda estão interessados em comprar livros? Como é a sua relação com a Internet?

THALITA REBOUÇAS – Sim, eles estão interessados sim, sou a prova disto! Hoje acho a Internet primordial. No Orkut, eu já tenho quase 9 mil amigos. E todos os perfis que estão lá são meus! Se você achar um fake, você me fala tá?! Eu que respondo tudo! E ainda tenho um site que está entrando em reforma para ficar mais lindo. Eu estou sempre em contato com os leitores, que vivem me inspirando.

Uma mãe interrompe a entrevista para falar: Thalita, tenho que falar como você! Faça essas meninas lerem! A minha filha Isadora estava com muita dificuldade de leitura, depois que comprou o primeiro livro seu não pára de ler. Até sobre outros livros ela já tem interesse...

THALITA REBOUÇAS - Ah, que coisa boa, mãe! Ela falou uma coisa linda. Eu acho que é por isso que eu escrevo, está vendo?!

Click(IN)VERSOS – A maior parte do seu público é de meninas. Você não tem nenhum projeto para os meninos?

THALITA REBOUÇAS - Não, tenho... Eles vivem me cobrando, mas não tenho ainda. Eu sou a maior “peruinha”, mas eu prometo fazer algo pra frente.

Click(IN)VERSOS – O que você lia na infância e na adolescência?

THALITA REBOUÇAS - Eu lia Monteiro Lobato. Meu avô lia para mim antes de eu dormir. Acho que passei a gostar de história nessa época. Quando eu tinha 14 anos, descobri Sabino, Veríssimo, Ubaldo e me apaixonei pela profissão. Foi quando comecei a querer me tornar escritora e levar a coisa a sério.

Click(IN)VERSOS – E hoje em dia você lê o quê?

THALITA REBOUÇAS - Hoje eu leio de tudo! Acabei de ler ‘A Invenção de Morel’, de Adolfo Bioy Casares. Eu amo Saramago; continuo apaixonada por Sabino e Veríssimo... Outro dia encontrei com o Veríssimo numa livraria e “tietei” ele, abracei, foi muito engraçado.

Click(IN)VERSOS – E de poesia, você gosta?

THALITA REBOUÇAS - Eu quase não leio poesia, mas gosto muito de Affonso Romano de Sant’Anna.

Click(IN)VERSOS – No fim do ano passado, “Fala Sério, Mãe!” foi levado aos palcos cariocas. O sucesso da peça surpreendeu você?

THALITA REBOUÇAS - Pode parecer pretensioso, mas não. O livro, mesmo depois de três anos de lançado, ainda vende muito. Investi porque acreditei que no teatro o sucesso se repetiria. Acho que ganhei novos leitores com o teatro - muita gente saía de lá e comprava o livro na livraria da frente... Toda noite eu ficava uns 40 minutos autografando depois da peça. Tudo de bom!

Click(IN)VERSOS – Você já recebeu alguma proposta para televisão?

THALITA REBOUÇAS - Sim, eu já tive. Algumas pessoas já me “cantaram” em relação a isso. Quem sabe não rola alguma coisa? Nada concreto, mas vamos ver...

Click(IN)VERSOS – Você sente algum preconceito em relação à literatura que você escreve?

THALITA REBOUÇAS - Não, eu acho que não. Pelo menos não que eu tenha percebido. Graças a Deus, né?! Tomara que eu não sinta, então.

Click(IN)VERSOS – Como funciona o seu processo de trabalho?

THALITA REBOUÇAS - Eu sou super disciplinada, escrevo todos os dias. Estou o tempo inteiro trabalhando. Ando sempre com um gravador na bolsa para quando surge alguma idéia. Mas é tudo muito gostoso...

Click(IN)VERSOS – Como serão os próximos trabalhos?

THALITA REBOUÇAS - Temos “Uma Fada Veio Me Visitar”, que é mais infantil, e depois vem “Tudo por...”. E já estou pensando nos próximos. Sou obsessiva, workholic mesmo. Acordo escritora e vou dormir escritora, penso em livros e em letras o dia inteiro e ando sempre com as antenas ligadas, na praia, nas festas, no bar, no elevador...

Click(IN)VERSOS – O que você falaria para os jovens que desejam se tornar escritores?

THALITA REBOUÇAS - Para não desistir. É muito difícil, mas não desistam! Se for o sonho tem que correr atrás. Eu batalhei e consegui, sem nenhum QI (Quem Indica) e estou aqui.

Então, não desistam!

Fonte .
wwwb.click21.mypage.com.br/myblog/visualiza_b...


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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os Gregos no século V a.C.

Mitologia Grega

O Mundo Romano no Apogeu do Império

Monumentos Insuperáveis - Egito

Conto de Assombração: Maria Angula


MARIA ANGULA


Maria Angula era uma menina alegre e viva, filha de um fazendeiro de Cayambe.

Era louca por uma fofoca e vivia fazendo intrigas com os amigos para jogá-los uns contra os outros.

Por isso tinha fama de leva-e-traz, linguaruda, e era chamada de moleca fofoqueira.
Assim viveu Maria Angula até os dezesseis anos, decidida a armar confusão entre os vizinhos, sem ter tempo para aprender a cuidar e a preparar pratos saborosos.
Quando Maria Angula se casou, começaram os seus problemas.

No primeiro dia, o marido pediu-lhe que fizesse uma sopa de pão com miúdos, mas ela não tinha a menor idéia de como prepará-la.
Queimando as mãos com uma mecha embebida em gordura, acendeu o carvão e levou ao fogo um caldeirão com água, sal e colorau, mas não conseguiu sair disso: não fazia idéia de como continuar.
Maria lembrou-se então de que na casa vizinha morava dona Mercedes, cozinheira de mão cheia, e, sem pensar duas vezes, correu até lá.
– Minha cara vizinha, por acaso a senhora sabe fazer sopa de pão com miúdos?
– Claro, dona Maria. É assim: primeiro coloca-se o pão de molho em uma xícara de leite, depois despeja-se este pão no caldo e, antes que ferva, acrescentam-se os miúdos.
– Só isso?
– Só, vizinha.
– Ah – disse Maria Angula –, mas isso eu já sabia!
E voou para a sua cozinha a fim de não esquecer a receita.
No dia seguinte, como o marido lhe pediu que fizesse um ensopado de batatas com toicinho, a história se repetiu:
– Dona Mercedes, a senhora sabe como se faz o ensopado de batatas com toicinho?
E como da outra vez, tão logo a sua boa amiga lhe deu todas as explicações, Maria Angula exclamou:
– Ah! É só? Mas isso eu já sabia! – E correu imediatamente para casa
a fim de prepará-lo.
Como isso acontecia todas as manhãs, dona Mercedes acabou se enfezando.

Maria Angula vinha sempre com a mesma história:

“Ah, é assim que se faz o arroz com carneiro? Mas isso eu já sabia!

Ah, é assim que se prepara a dobradinha? Mas isso eu já sabia!”.

Por isso a mulher decidiu dar-lhe uma lição e, no dia seguinte…
– Dona Mercedinha!
– O que deseja, dona Maria?
– Nada, querida, só que meu marido quer comer no jantar um caldo de tripas e bucho e eu…
– Ah, mas isso é fácil demais! – disse dona Mercedes.

E antes que Maria Angula a interrompesse, continuou:
– Veja: vá ao cemitério levando um facão bem afiado.

Depois espere chegar o último defunto do dia e, sem que ninguém a veja, retire as tripas e o
estômago dele.

Ao chegar em casa, lave-os muito bem e cozinhe-os com água, sal e cebolas. Depois que ferver uns dez minutos, acrescente alguns grãos de amendoim e está pronto. É o prato mais saboroso que existe.
– Ah! – disse como sempre Maria Angula. – É só? Mas isso eu já sabia!
E, num piscar de olhos, estava ela no cemitério, esperando pela chegada
do defunto mais fresquinho.

Quando já não havia mais ninguém por perto, dirigiu-se em silêncio à tumba escolhida.

Tirou a terra que cobria o caixão, levantou a tampa e…

Ali estava o pavoroso semblante do defunto!

Teve ímpetos de fugir, mas o próprio medo a deteve ali.

Tremendo dos pés à cabeça, pegou o facão e cravou-o uma, duas, três vezes na barriga do finado e, com desespero, arrancou-lhe as tripas e o estômago.

Então voltou correndo para casa.

Logo que conseguiu recuperar a calma, preparou a janta macabra que, sem saber, o marido comeu lambendo-se os beiços.
Nessa mesma noite, enquanto Maria Angula e o marido dormiam,
escutaram-se uns gemidos nas redondezas.

Ela acordou sobressaltada.

O vento zumbia misteriosamente nas janelas, sacudindo-as, e de fora vinham uns ruídos muito estranhos, de meter medo a qualquer um.
De súbito, Maria Angula começou a ouvir um rangido nas escadas.

Eram os passos de alguém que subia em direção ao seu quarto, com um andar dificultoso e retumbante, e que se deteve diante da porta.

Fez-se um minuto eterno de silêncio e logo depois Maria Angula viu o resplendor fosforescente
de um fantasma.

Um grito surdo e prolongado paralisou-a.
– Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago, que você roubou da minha santa sepultura!
Maria Angula sentou-se na cama, horrorizada, e, com os olhos esbugalhados de tanto medo, viu a porta se abrir, empurrada lentamente por essa figura luminosa e descarnada.
A mulher perdeu a fala.

Ali, diante dela, estava o defunto, que avançava mostrando-lhe o seu semblante rígido e o seu ventre esvaziado.
– Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago, que você roubou da minha santa sepultura!
Aterrorizada, escondeu-se debaixo das cobertas para não vê-lo, mas imediatamente sentiu umas mãos frias e ossudas puxarem-na pelas pernas e arrastarem-na gritando:
– Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago, que você roubou da minha santa sepultura!
Quando Manuel acordou, não encontrou mais a esposa e, muito embora tenha procurado por ela em toda parte, jamais soube do seu paradeiro.

Contos de Assombração

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